quarta-feira, 26 de outubro de 2016

O país da incerteza



Sempre foi dito que a ditadura militar acabou com uma geração. De fato, hoje percebemos ainda mais o efeito que isto pode trazer para o país. Os fantasmas da ditadura são muitos: a repressão, o medo, a tortura. Hoje ele volta a nos assombrar, agora com a falta de jovens lideranças na política.

Pegamos por exemplo os dois principais partidos que representam duas visões distintas, PT e PSDB. As lideranças são as mesmas há tempos: Lula, Tarso Genro, Serra, FHC, todos já em idade avançada. Dificilmente são achados cargos importantes ocupados por pessoas de 30, 40 anos, seja a nível nacional, estadual ou até mesmo municipal. Quem realmente articula, elabora estratégias e não é apenas fantoche no cenário político ainda são os mesmos de sempre.

A geração perdida não foi recuperada. Talvez seja uma formação diferente, outro modo de pensar, mas dado o descrédito que toda a população tem com a política no atual cenário, é até compreensível, porém preocupante. Sejamos justos, o PT fez sim programas que alavancaram o Brasil. Um dos poucos partidos que promovia discussões com sua militância em todas as esferas. Mas, com o tempo, tropeçou nas próprias virtudes e, se não foi a favor, também não trabalhou para culpar, dentro da própria cúpula, atitudes que levariam o partido a entrar em crise. A abstenção dos erros de algumas lideranças históricas foi fatal. A reeleição de Dilma ainda deu uma ponta de esperança, mas ali já não havia o que fazer.

A elite, dona dos meios de comunicação em massa, não perdeu a chance e massacrou a chance que tinha de tirar a esquerda do poder. Assim, sofremos todos mais um golpe. E não se engane quem bateu panela, pois "todos" é literalmente "todos". Seja classe média alta, baixa ou a classe operária. Vislumbramos, por um lapso, a possibilidade de um futuro diferente, mas até isso o golpe nos tirou. Agora todos voltamos a viver na incerteza, se é que um dia saímos dela.



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