quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

A história das manifestações estudantis no Brasil

Um dos primeiros movimentos que contaram com participação dos estudantes brasileiros aconteceu em plena 2ª Guerra Mundial. Em luta contra o nazi-fascismo, os estudantes pressionaram o então presidente Getúlio Vargas, pedindo posicionamento contra os regimes autoritários. As manifestações acabaram impulsionando o governo a declarar apoio aos Aliados na Grande Guerra.


Após a Guerra, a União Nacional dos Estudantes (UNE) passou a se posicionar em relação aos principais assuntos nacionais. Foi protagonista na campanha "O Petróleo é Nosso", que queria garantir que empresas estrangeiras não tivessem permissão para explorar o recurso brasileiro. A luta culminou na criação da Petrobras.


Em 1961, após a renúncia do presidente Jânio Quadros, era natural que assumisse seu vice, João Goulart. Entretanto, a pressão política ameaçava a posse de Jango, o que gerou forte mobilização estudantil. No período, a UNE chegou a transferir temporariamente sua sede para Porto Alegre, onde tiveram participação importante na Campanha da Legalidade. Quando foi empossado, Jango se tornou o primeiro presidente a visitar a sede da UNE.


A participação dos estudantes também foi marcante durante as Diretas Já, em 1984. Após sofrerem severas represálias durante a ditadura militar, o movimento voltou às ruas, lutando pela democracia com manifestações nos principais comícios populares. 


Talvez o movimento mais emblemático dos estudantes brasileiros tenha sido a campanha "Fora Collor", que conseguiu derrubar o presidente da República. Os jovens de caras pintadas foram protagonistas em mobilizações por todo o país.


A partir dos anos 2000, o movimento estudantil avançou em suas reivindicações para a educação. Conseguiram, em 2003, o fim do Provão, exame que era aplicado aos estudantes do ensino superior. Em 2004, após caravanas realizadas por todo o país, conseguiram a criação do ProUni, programa do governo federal que garante bolsas em universidades particulares para estudantes de baixa renda.


Em 2010, os estudantes conseguiram a aprovação da PEC da Juventude no Congresso Nacional, abrindo espaço para a proposição de políticas voltadas exclusivamente para jovens.


Em 2014, o movimento estudantil conquistou a aprovação do Plano Nacional de Educação, que garante 10% do PIB para o setor. Também conseguiram que 75% dos royalties do petróleo e 50% do Fundo Social do Pré-Sal fossem destinados para a educação.


Em dezembro de 2015, estudantes de São Paulo conseguiram suspender a reorganização escolar proposta pelo governador Geraldo Alckmin. A medida, que visa à divisão dos estudantes por faixa etária, prevê o fechamento de mais 90 escolas no estado. Os alunos, em protesto, ocuparam as escolas e organizaram manifestações nas ruas. Além de conseguirem fazer o governo suspender a medida para 2016, derrubaram o secretário de educação Herman Voorwald.


Vi enquanto lia o Super Interessante


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