quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Explicando os conflitos na Síria




Com certeza nos últimos dias você deve ter visto a imagem acima muitas vezes nos noticiários, tanto na televisão quanto na Internet. Muitos ficaram chocados outros não deram a mínima e muitos outros saíram divulgando e mostrando solidariedade nas redes sociais. Mas você sabe realmente qual o contexto dessa imagem?

Primeiramente vale destacar que o menino foi encontrado em uma praia turca após o navio no qual estava naufragou. Sim, o menino e muitas outras pessoas da Síria estão tentando fugir do seu país para escapar das guerras, das perseguições e da pobreza. O país está passando por uma Guerra Civil e uma das consequências é essa crise migratória. 

Para entender melhor sobre o assunto, resolvemos fazer esse texto explicando tudo o que anda acontecendo. 

Os conflitos tiveram início em Março de 2011, se transformou em guerra civil e já fizeram milhares de mortos e outros milhões de refugiados, sem acesso a alimentos e remédios. Entre elas estão mulheres e crianças. 

O levante contra o regime de Bashar al-Assad teve início em 15 de março de 2011 e começou pacífico nos primeiros quatro meses, mas, a partir de agosto, manifestantes fortemente reprimidos passaram a recorrer à luta armada e em 2012, a Cruz Vermelha e a ONU classificaram o conflito como guerra civil, abrindo caminho para a cobrança da aplicação do Direito Humanitário Internacional e para a investigação de crimes de guerra, porém as missões diplomáticas para resolver o conflito têm fracassado. 

Há quase 50 anos, a Síria é governada pelo mesmo partido, o Baath. O país é liderado com mãos de ferro pelo presidente Bashar Al-Assad desde julho de 2000. Antes disso, seu pai, Hafez al-Assad, presidiu o país por 30 anos. Nesse período, ele proibiu a criação de partidos de oposição e a participação de qualquer candidato de oposição em uma eleição.

Em fevereiro de 2012, foi anunciada a criação de uma nova Constituição, prevista para entrar em vigor após as eleições presidenciais de 2014. Embora o documento adote o pluripartidarismo, ele não reduz a permanência do chefe de estado sob o comando da nação, nem mesmo o seu poder.

 O governo sírio controla as grandes cidades e as estradas mais importantes e tem usado a fome e a miséria como principal arma para punir a população civil, maior vítima dos conflitos.

Já os rebeldes tem hoje cerca de 150 mil combatentes cerca de 15 mil estrangeiros divididos em 2 mil grupos. O grupo mais importante seria a Frente Islâmica, uma coalizão de combatentes islamitas. 

Cerca de 4,5 milhões de pessoas foram deslocadas dentro da própria Síria. 2,4 milhões abandonaram suas casas e se refugiaram em países vizinhos onde são frequentemente alvo de racismo e discriminação.

Um Relatório divulgado em 10 de março de 2014 pela Unicef estima que 5,5 milhões de crianças tiveram suas vidas devastadas pela guerra. Cerca de 1 milhão estão presas em áreas sitiadas ou onde a ajuda humanitária não consegue chegar. 1,2 milhão vivem refugiadas, habitando locais insalubres, onde comida, água potável e acesso à educação são limitados.

De acordo com o mesmo relatório, o número de refugiados sírios em países como Líbano, Jordânia, Turquia, Iraque e Egito deve alcançar no fim de 2014 a marca de 4,1 milhões de pessoas. Outras 9,3 milhões precisarão de ajuda até o fim de 2015.

Apesar de tudo o que está acontecendo, nem a ONU nem a União Europeia, nem os EUA interviram no conflito, apesar de sempre condenarem. 

A China acusa países ocidentais de instigar a a guerra civil e a Rússia que tem uma base naval militar no país, condenou o uso da violência pelos opositores ao regime, aos quais chamou de ‘terroristas’ e votou contra o estabelecimento de uma missão humanitária no país na Conferência de Paz GenebraII, em fevereiro de 2014.

Já o Brasil retirou seu embaixador da Síria em janeiro de 2013 e não quer se envolver também. 



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