quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Os esquemas táticos do futebol

Algumas vezes podemos comparar o futebol com um perfeito jogo de xadrez e isso pode se tornar bem entendido ao analisarmos os diferentes esquemas táticos que são executados em uma partida. Neles, os jogadores se tornam peças que exercem determinadas funções e se movimentam em direções distintas. 

São muitos números e muitas variações então o blog selecionou alguns dos principais esquemas táticos utilizados por um time durante uma partida. Obviamente você sentirá falta de muitos outros, mas preferimos escolher àqueles que foram os pioneiros e de alguma forma revolucionaram esse esporte que é o mais popular em muitos países do mundo. 

PIRÂMIDE (2-3-5)



Este foi o primeiro de todos os esquemas táticos. A disposição em 2-3-5 do time em campo lembrava uma pirâmide. Criado pelos escoceses, constava de 2 zagueiros recuados, 3 médios defensivos no meio-de-campo. Deles, o centro-médio era o cérebro da equipe. Os médios direito e esquerdo foram os precursores dos laterais. No ataque, havia 2 meias recuados, 2 pontas abertos e o centroavante. A pirâmide foi largamente usado na Europa - pela Inglaterra e pela Itália nas Copas de 1934 e 1938 - e na América do Sul por Argentina, Uruguai e Brasil. Os ataques predominavam sobre as defesas, atacava-se com 6 a 8 e defendia-se com 2 ou 4 jogadores, marcando por zona. 

WM 



No futebol moderno de hoje, dificilmente esses esquema será usado, mas já foi muito popular nos anos 20 e 30. Era chamado de WM porque os desenhos dos jogadores em campo lembrava as letras W e M. Esse sistema foi criado pelo técnico inglês Herbert Chapman, do Arsenal, em 1924. Ele foi introduzido no Brasil por Dori Kreschner, do Flamengo, em 1937. Na zaga, é possível perceber 2 zagueiros mais um centro-médio recuado (seria o atual "zagueiro-central"). No meio, 4 jogadores sendo 2 meias recuados e 2 médios, formando o famoso "quadrado-mágico". Esses 4 jogadores ajudavam a defesa e o ataque. Na frente há 2 pontas e o centroavante. 

DIAGONAL 



Foi o esquema do Brasil na Copa de 50. Partindo do WM, o técnico Flávio Costa teve a ideia de fazer um losango no meio-de-campo. O vértice avançado era ocupado pelo centroavante Ademir e o vértice recuado por Bauer, homem de criação das jogadas. Os 2 vértices laterais eram os armadores Zizinho e Jair. Na frente, atuavam 2 pontas velozes e a defesa incluía 2 jogadores abertos nas laterais, Augusto e Bigode, e 2 zagueiros de área, com um deles, Juvenal, jogando quase sempre na sobra. 

4-2-4 



Foi usado pelo Brasil na Copa de 54. Recuou-se um dos médios, formando-se, com isso, a figura do quarto-zagueiro. Para o seu lugar voltou o meia-armador. O "ponta de lança" trocava bolas com o centroavante. O sistema era flexível, permitindo que 2 atacantes voltassem para ajudar no meio-de-campo quando a bola estava com o adversário, formando um 4-4-2. 

4-4-2 



São 4 zagueiros, 4 no meio (2 volantes e 2 armadores) e, na frente, 2 atacantes. O esquema depende de contra-ataques rápidos Há variações, como 4-1-3-2 (4 zagueiros, 1 volante à frente, 3 armadores e 2 atacantes) e o 4-4-1-1 ( ou 4-5-1), que predominou na Copa de 98. O Brasil foi tetracampeão na Copa de 1994 empregando um 4-4-2. A consolidação deste sistema praticamente acabou com os pontas abertos.

4-3-3



O esquema recua 2 atacantes, formando 3 jogadores na intermediária. O quarto-zagueiro passa a ser o segundo beque de área, se deslocando à frente e atrás dos outros zagueiros. Na dianteira, 3 atacantes que se movimentam sem guardar posições fixas. O 4-3-3 atingiu seu auge nas décadas de 60 e 70. Foi usado no bicampeonato do Brasil, no Chile, em 62. 

CARROSSEL 



Esse revolucionário esquema tático holandês de 1974 é o meu favorito. Eram, basicamente, 4 zagueiros, 3 médios e 3 atacantes, mas nenhum jogador tinha posição fixa: todos defendiam e atacavam. O time todo, quando perdia a bola, marcava por pressão e confundia os oponentes, que não sabiam a quem marcar. Os camisas-laranja cercavam com 3 ou 4 jogadores o adversário com a bola. Todas as outras tentativas posteriores de reproduzir esse esquema tático não obteve sucesso e a eficiência igual ao lendário Carrossel Holandês.

3-5-2 



Esquema moderno, com 3 zagueiros marcando 2 atacantes, sendo que o zagueiro central atua recuado, na sobra. Os laterais viram alas, apoiando pelas extremas. No meio de campo, 5 jogadores: os 2 alas, 1 volante à frente dos 3 zagueiros e 2 armadores. No ataque, 2 jogadores bem perto da área. 


Não podemos confundir o esquema tático com a posição de um jogador, pois muitas vezes um treinador opta por 3 volantes, por exemplo, em um esquema de 4-3-3 abrindo mão de um armador ou um esquema sem centroavante (o chamado falso 9), mas com um jogador posicionado na função do tal. 

Fonte: Museu do Futebol

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