quarta-feira, 6 de maio de 2015

Insatisfação tem a ver com drogas, Lutero, Ateísmo e Gêneros Sexuais

A princípio creio que o título possa lhe soar estranho, mas devo adverti-lo que não há nada mais comum. Sim, farei uma relação entre ambos os assuntos que se ligarão também a diversas questões ligadas a atualidade e aos séculos anteriores.




Um fato sobre a humanidade: nós nunca estamos satisfeitos. A começar pelo estado espiritual: quando Jesus Cristo veio pela primeira vez os judeus não se contentaram que ele fosse o Messias por ser pobre e não tê-los "salvado" de forma digna. Caminhando um pouquinho pela História logo no início do século XVI, Lutero viu-se insatisfeito em relação a forma como a Igreja estava sendo dirigida (em parte com razão) e escreveu 95 teses sobre a sua insatisfação, criando dessa forma uma nova doutrina: a protestante. “PRO-TES-TAN-TE!”

A partir de então a insatisfação fez-se presente. Lutero criou uma nova religião, como houve uma divergência de ideias, surgiu a calvinista, mas ainda assim, não houve um acordo de ideias de forma que uma nova foi criada, veio então a presbiteriana, mas não parou por aí, nasceram a pentecostal, adventista, enfim inúmeras delas. Não é essa a sequência, mas veja um exemplo prático: Edir Macedo brigou com R. R. Soares que brigou com Valdomiro que criou a Mundial. Sucederam então, a Universal, a da Graça... E até hoje é assim, a cada ponto discordado uma nova igreja é construída, sem a permanência de uma tradição, é construída conforme os preceitos de uma divergência que depois de 1534 tornou-se constante, seja numa garagem, seja num templo.

Mas não é só na questão espiritual, é também a falta dela. Quem diga os ateus. Insatisfeitos com a falta de provas físicas e fatos, simplesmente resolveram não crer. Não que a insatisfação seja algo ruim, tem também seu lado positivo, faz com que haja uma evolução. Causa um desequilíbrio que de certa forma nos tira daquela posição de conforto para uma distinta. Mas verdade seja dita: há um descontrole emocional embutido nisso tudo. É incrível, se chove nós reclamamos, se faz sol nós desejamos que esteja nublado...

Podemos colocar também em pauta o casamento. Casamos porque nos sentimos insatisfeitos de estarmos só. Sentimo-nos incompletos com nós mesmos. Buscamos sempre mudar física e psicologicamente pelo simples fato de estarmos numa posição de constante mutação por conta dessa auto repugnância.

Pegando o gênero sexual como exemplo, as mulheres vivem se maquiando, cortando, pintando os cabelos, por que? Exatamente porque enjoaram-se da mesma cara de sempre e não

sentem-se satisfeitas com sua aparência, também em virtude da própria insatisfação do homem com os estereótipos até então existente. Uma pesquisa recente revela que o Brasil tornou-se o país que mais realiza cirurgia plástica e são as mulheres as que mais recorrem a esse procedimento.

Os homens também não ficam atrás. As academias atualmente estão cada vez mais lotadas do sexo masculino (para serem mais saudáveis verdade), entretanto é fato que a prioridade é a estética: ficarem mais fortes, bombados e musculosos parece que é uma obrigação a todos eles. A relação íntima é um outro grau de insatisfação: ora, um casal está sempre tentando mudar para não caírem na rotina e por conseguinte causar um nível de insatisfação que leve ao término do relacionamento.

Conforme esse grau vai aumentando os malefícios podem chegar de mau a pior em pouco tempo. Muitas pessoas (especialmente os jovens) buscam nas drogas, no álcool uma forma de refúgio para preencher esse vazio que tanto faz-se presente nos tempos atuais. Vão da cerveja a vodca, da maconha ao crack com uma velocidade muito alta, exatamente porque não sentem-se bem com o estado em que se encontram, levando-os dessa forma ao vício.

Essa questão também não para por aí. Para tirar um pouco dessa tensão vejamos por exemplo a maternidade. Assisti a um vídeo onde uma mãe fazia seu próprio parto em pé. Fico imaginado se ela enjoou-se de parir sentada, ou se as mãos do médico são "insatisfatórias".

Enfim, talvez eu tenha tido alguns devaneios nesse texto, mas esses são alguns exemplos que selecionei para exemplificar como o ser humano busca sempre algo que lhe satisfaça, mesmo sabendo que nada o contenta. É preciso que haja um certo limite para esses graus de descontentamento constante... Algumas coisas são relativamente boas, mas a maioria delas “insatisfatórias”. Bom, enquanto escrevia esse texto aposto que mais uma garagem foi utilizada, dessa vez como ponto de fluxo mesmo...


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