terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Permissão pra bater as botas




Tenho uma teoria de que se algo respira, essa coisa já pensou sobre a morte. Não quero soar depressivo ou mórbido, mas é o natural, até mesmo para as pessoas mais simples. Na real, todos tem um Poe ou um Lovecraft dentro de si. Uma das características básicas do ser está ai. Depois dos três primeiros "quero's" (comer, descansar, e a necessidades +18) vem a procura pelo grande "e depois". Não sei dizer se realmente lidamos bem com a pergunta, e a resposta... bem, tocar nesse assunto é procurar briga. Até mesmo o "quando" já faz um pessoal se borrar. Mas com certeza no decorrer da história produzimos e fizemos muito sobre essa questão. Muito mesmo.

Mas se algo realmente complicado na sociedade atual é o fato de que a morte chega a ser um evento mais presente que a vida. Não tem como fugir dela, é sair na rua e vê-la perambulando por lá, e nem falo sobre ligar a tv ou ler o jornal. A humanidade e a coisa de roupa preta e foice gigante tem um relacionamento muito extenso. E como dizem, que tudo acaba uma hora e que "The Godfather" é o melhor filme já feito são a únicas certezas da vida.

Estamos longe de realmente entender sobre isso. Quero dizer, estamos longe de entender até mesmo as coisas retardadas que fazemos, sendo que algumas delas levam exatamente pra dentro da terra. Mesmo sendo bichinhos muito egocêntricos e termos essa ideiazinha de criaturas perfeitas, a mente humana não entende muito o que rola nesse sentido. Claro, existem muitos estudos e teorias. A ciência, falando de forma ampla, também entra de cabeça no assunto, e não só pra fazer aquelas matérias especiais de jornal de domingo. Mas não tanto quanto o pessoal gosta de perder realmente tempo sobre isso.

Estimativa inventada, mas acho que para cada filme de romancezinho produzido, saem três cujo enfoque central seja algo relacionado a morte. Ou talvez mais. Se esse fosse um assunto pra curso universitário, seria uma formação quatro vezes maior que medicina. E bem mais difícil, porque, bem...




A questão é que procuramos como doidos por isso. Não exatamente pela questão sentimental, o psicológico, ou pela questão biológica ou espiritual. É meio que automático. Desde os primórdios da historia sempre tinha um cara pra ficar falando sobre isso, mesmo quando o resto se ocupava com outras coisas, tipo se desenvolver. Se preocupar sobre is grandes "Quando" e "E Depois" é atividade que exercemos a mais tempo, e bem, sem realmente grandes avanços. Mas se o pessoal que veio antes focasse tanto em áreas como, por exemplo, o que realmente fazer pra viver melhor, hoje a coisa seria bem diferente.

Mas não foi bem o que aconteceu, e não é o que acontece. Aliás, só para ressaltar como corremos atrás do tal do Ceifeiro, só pensar no tanto de conflitos que ocorrem cá e lá. É um romance PIOR que "Crepúsculo", se quer saber. A guerra é a atitude mais idiota que nossas cabecinhas não tão desenvolvidas consegue bolar. Não é brincadeira, só pensar de forma limpa. Isso é sobre mandar um monte de gente armada pra se matar em algum lugar, com uma razão imbecil e as vezes por um viés econômico. Arrisco dizer que esse é outro fato que nem nós mesmos entendemos.

Mas seja como for, socialmente, temos uma boa cartilha de como lidar com isso. Quantos enterros acontecem todos os dias? Não sei, mas o número deve ser assustadoramente grande. O estranho é que isso se transforma quase em uma convenção social. Por que realmente não entendemos a coisa toda, todo isso se desenvolveu inconscientemente , e hoje é uma GRANDE indústria. Claro, há uma questão ritualística junto, mas já passou a muito pro segundo plano. Até a grande questão metafisica e filosófica de tudo, é meio piloto-automático, como muitas outras coisas.

Entretanto, essa estranha relação rola de forma meio inevitável. E lidar com isso, e com as implicações, ainda é um processo muito lento. Mas da pra ser otimista, esperando que alguém não destrua a coisa toda em algum momento. Tem também partir de um desenvolvimento individual, trabalhar essas questões de forma limpa, é também contribuir, fujir do programado e entender verdadeiramente. Por que tem um abismo entre SABER e ENTENDER algo.


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