segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

"A Entrevista", um filme idiota e forte, em algum sentido

Nos resquícios do ano de 2014, a produtora Sony foi vitima de um gigante cyberatack que custou a empresa um imenso prejuízo e muitos dados internos vazado, tudo motivado aparentemente pelo filme "A Entrevista", que iria para os cinemas durante o natal. Apesar da situação ainda não estar clara o suficiente á respeito do ataque, e ter ajudado para aumentar os problemas entre os governos Norte Coreano e Americano, seu estopim, a comédia em que o ditador Coreano kim Jong-Un é assassinado, foi liberado na web nas ultimas semanas e pode ser conferido o motivo de tanta bagunça. E não valia no final tudo isso no final, mas...





O longa, estrelado pelo James Franco, que nesse como em qualquer outro trabalho que se dispõe atuou magnificamente, é um típico de comédia pastelona e humor sujo. Piadas a respeito de genitálias em DIVERSOS momentos, e situações bizarras um tanto apelativas, junto com estranhas referências a "Senhor dos Anéis" nos momentos mais inoportunos, muitas cenas hilárias com o ditador gordinho, e isso tudo junto com leves criticas, tocadas superficialmente o bastante para não se estragarem. É essa, superficialmente, a base de um dos filmes mais barulhentos da historia.




Logo de inicio, figurado pelo programa de entrevista do personagem Dave Skylark, personagem de Franco, vemos uma critica á algumas toscas formas de entretenimento que passam lá pela pais do tio Sam. Programas que detêm total atenção do publico pra fazer caquinha sensacionalista (o que também é muito visto por aqui, aliás). Há algo também sobre o pseudo jornalismo engajado nessas produções, o que é bem explorado no inicio e deixado de lado depois. Após isso, a critica vai ao próprio sistema americano de segurança, que contrata o entrevistador e seu produtor para matar o ditador, sendo colocado em um papel... meio idiota e falho, no mínimo. O que leva a um dialogo bem empregado no longa: "Até quando vocês americanos vão continuar insistindo no mesmo erro?; Quantas vezes forem necessárias!" Sem comentários.




Como disse, o filme vai pincelando essas pequenas criticas e conceitos em sua construção, de forma sutil e leve, mas valida. Mas o que realmente explora, e como não deveria deixar de ser, são as questões a respeito do jovem líder ditador e sua nação, e a relação deste com o mundo. Cria-se uma duvida a quem assiste sobre qual ponto de verdade esta sendo exposto ali, no que diz respeito a kim Jong-Un. O que realmente eles querem dizer com aquilo tudo que "A Entrevista" mostra. Bem, no decorrer do longa, essa questão muda de rumo em diversos momentos, então fica a critério do espectador decidir dentre tudo o que o explorara e seus momentos mais interessantes, o que também vale a recomendação. O que seria uma falha de roteiro talvez possa ser interpretado também como um bom ponto reflexivo (se formos bonzinhos no julgamento, claro).




Entretanto, de fato o grande ponto do filme é a respeito da imagem que as pessoas causam, e é nisso que que ele realmente se propõe a trabalhar. Quando Dave Skylark vai a Coreia do Norte, Kim se empenha para conquistar o apresentador, e quebrar a ideia que se tem á respeito do pais, como a fome, a miséria, e os campos de concentração (Aliás, o fato de não adentra muito nessas questões é um ponto positivo, já que assim se privou de fazer besteira com assuntos sérios). Dave não vê nenhuma dessas coisas em sua visita, e até encontra com uma criança gorda em frente a uma mercearia farta. Os personagens no decorrer da historia definem isso como um efeito para fazer o outro gostar de você, e ter o que quiser, manipulação básica (aliás, ai é criado um belo link com a realidade). Tanto que quando o filme chega em seu climax, a principal meta dos personagem não é mais matar o ditador, e sim descontruir sua imagem diante de seu povo, derrubando a ideia de deus entre mortais e mostrar a verdadeira face de kim Kong-Un... que de acordo com "A Entrevista", é só um cara que chora com Kary Perry.




Apesar disso tudo, não diria que se trata de uma obra-prima, sendo sincero, após conferir o não achei que valesse todo o barulho. É bom, mas não daria mais que 7,5., dá pra dar umas boas risadas, se deixar de lado toda putaria (ou se você gostar dela) e é divertidinho. Mas a força que pode ser atribuída a essa produção não parte dela, e sim do que deriva e no que pode causar. O que os personagens fizeram no longa é feito na vida real pelo filme, a desconstrução da imagem, tanto da questão politica quanto do ditador, e isso causa muitos impacto, principalmente culturais. Damos risadas abertamente de um homem que governa um pais poderoso.

O que nos resta agora é acompanhar as repercussões disso tudo, e ela já ocorre. Alias, nos últimos dias, ativistas sul-coreanos tem tentado enviar cópias do longa para a Coreia do Norte, e isso sim pode causar impactos. Afinal, a cultura e influências como essa que podem mais fazer estraho no mundo de hoje. Talvez não seja exagero no final das contas dizer que esta comédia depravada esteja fazendo parte da historia, só nos resta saber qual a conclusão do capitulo.



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