terça-feira, 4 de novembro de 2014

Livro, o produto X Livro, o de verdade.






Sucesso nunca foi sinônimo de qualidade. Uma coisa pode acompanhar a outra, mas nem sempre vem juntas. Temos o nosso cenário musical como exemplo claro disso. E, infelizmente, a mesma lógica surge quando tratamos de livros. Aquele livro que está no topo das vendas, que todo mundo anda lendo, nem sempre é necessariamente uma obra-prima. Ao entrar em uma livraria que lide com lançamentos, é capaz de achar tanta coisa, de tantos autores que nunca nem sequer ouvimos falar, que é fácil se sentir perdido. 

Sorte que tudo esta separado por gêneros, e também por publico - sim, há quem compre tudo aquilo, e é esse o objetivo de todas aquelas capas brilhantes. Um livro não é mais um veiculo de sabedoria, e sim de dinheiro. Aquele sucesso dramático e clichê na prateleira foi feito para se transformar magicamente em notas no balcão. 

A literatura, que sempre teve um papel importante no desenvolvimento de diversos processos históricos, que sempre foi vinculada ao conhecimento, se tornou hoje uma indústria gigante, em alguns pontos suja, que manda tanta coisa goela abaixo dos leitores que aquela imagem ideológica do verdadeiro papel do livro na sociedade - o de instruir, forma ideologias e pensamentos - foi mais que violada. Claro, há casos e casos. Ainda há o que se salve (amém). A dificuldade esta em achar, selecionar, e morder a língua quando ver aquela garotinha de quinze anos falando sobre o novo best-seller de merda que leu. 

É fácil observar quais foram as tendências com o passar dos anos. A bola da vez é, com certeza, as nossas queridas distopias. Jovens lutando pela sobrevivência em um futuro destruído contra diversas adversidade e as vezes um sistema controlador vendem mais que água. 

O gênero já existia a muito tempo, e sempre esteve vinculado com fortes criticas sociais. Mas desde que Suzanne Collins publicou "Jogos Vorazes" que teve sucesso instantâneo, diversos autores - e editoras - viram ai uma chance de emplacar junto. Não que "Jogos Vorazes" seja ruim, muito pelo contrario. Esse sim se salvou. Apesar de não vencer no quesito escrita, e ter alguns errinhos cá e lá, a autora pôde honrar o gênero que trabalhou. Caso raro, que merece ao menos parte de seu sucesso. Mas o publico de "Jogos Vorazes" esta ali pela forte critica ao sistema midiático que autora faz? Não, estão pelo drama, pelo sangue, em certos pontos indispensáveis na historia, mas que deviam ficar de fora da analise critica. Mas é deles que o publico gosta! Então, deram-lhes mais. 

Há alguns anos, aqueles romances melosos clichês e previsíveis que estavam em alta, seguiam a mesma formula da nova moda. Agora, foram basicamente jogados todos para escanteio - fora os poucos que conseguiram se salvar. Voltando mais ainda, todo mundo lia historias de espionagem, que sofreram do mesmo mal. Fora esses, muitos outros gêneros são aplicáveis como exemplo. Não que sejam ruins, mas quem faz o gênero são os autores. E muitos destes, por sua vez, não se preocupam em de fato semear o conhecimentos e formar ideias, em passar aos seus leitores algo realmente significativo. É triste pensar que a literatura tem incorporado tanto o aspecto industrial que que o artístico fique em segundo plano. 

E isso significa que a REAL literatura e esta morta e sem chances de reanimação? Ainda não. AINDA. Mas não estamos longe disso. O livro, como produto, deve ser descartado, e o livro, como antro de sabedoria, deve ser resgatado, e ao menos tardar possível. A volta dos espirito clássico da literatura, que sempre serviu como o espelho mais límpido da sociedade. Os livros que mexem com a cabeça dos leitores, e os põem em movimento - no bom sentido. Tem sido difícil achar obras e escritores que ainda mantenham esse real significado, mesmo sem receber reconhecimento sobre seu trabalho. Quando o que é bom não se assemelha com o que é industrialmente rentável, morre a arte. Porém, antes passar fome, que vender a alma.



4 comentários:

  1. Como sempre a indústria se preocupando com o $$$$ ao invés do conhecimento e bem estar de seus clientes... Lamentável!

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  2. De fato, a nossa literatura está morrendo, mas ainda há esperança. Que tal se você escrevesse um livro? É necessário que resgatemos a verdadeira essência da leitura que não são os modismos descartáveis e o capital como centro e sim, conteúdos que possam ser absorvidos e postos em prática ou até mesmo, modificados dependendo do contexto. Enfim, é preciso revolucionar a literatura (amém).

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  3. Mas será que não há pessoas que tentam revolucionar a literatura e o sistema não deixa?

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    1. Como eu disse, sim. Ainda há coisas boa por ai, ainda há quem tente fazer a diferença. Ai, o bom escritor não ganha reconhecimento e nem dinheiro. Dai surgem as tendências, que pro cara se manter, se entrega a elas (vende a alma, basicamente. Mas a real mudança não parte dos autores, e sim dos leitores. O dinheiro é deles, a opinião a ser formada é a deles, o publico é o que importa, e ele quem pode fazer a diferença.

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