segunda-feira, 7 de julho de 2014

A época que o telefone usava ficha




Quem nunca utilizou um ORELHÃO? Pelo menos uma vez na vida esse acessório público nos ajudou a resolver problemas urgentes ou nos permitiu matar a saudades de conversar com quem amamos. Claro que hoje em dia com os aparelhos moveis, cada vez menos pessoas precisam apelar para o uso destes telefones, mas com certeza sua mãe ou seus avós já utilizaram em algum momento. 


Os telefones públicos fazem parte da vida da população brasileira desde 1920, mas foi em 1934 que a Companhia Telefônica Brasileira (CTB) instalou na cidade de Santos, em São Paulo, os primeiros Telefones Públicos de Pagamento Antecipado. Na época somente estabelecimentos credenciados tiveram esse benefício. Para efetuar uma ligação era simples, havia uma caixa coletora de moedas e as ligações eram realizadas com ajuda de uma telefonista. 

Em 1934, para fazer uma ligação era necessário ter uma moeda de 400 réis. Porém, com a mudança da moeda brasileira em 1945, foi necessário mudar também o dispositivo interno dos telefones, que passaram a receber duas moedas de 20 centavos. Por causa dessas dificuldades que foi criada, então, as FICHAS TELEFÔNICAS.


Os orelhões, como conhecemos nos dias de hoje com esse formato peculiar, só apareceu em 1971


Como era usar as tal das fichas


Depois dessa breve história, finalmente podemos começar a contar como era a vida de uma pessoa comum que utilizava as fichas telefônicas para efetuar uma ligação.

Hoje você compra um cartão telefônico com uma quantidade razoável de créditos, e você pode ficar acompanhando o saldo diminuindo no próprio visor do aparelho. Mas nem sempre foi tão simples assim. 

Na teoria, bastava colocar a ficha e falar, depois de 3 minutos de ligação local ou 18 segundos DDD, havia a necessidade de colocar outra ficha. As fichas poderiam ser colocadas a vontade e as que não fossem usadas eram devolvidas. Lembrando que na época não existia ligações à cobrar nos orelhões. 

Você comprava as fichas que eram vendidas em vários pontos comerciais ou de forma avulsa ou em cartela de 5 unidades, colocava as fichas num compartimento acima do aparelho, geralmente mais de uma para que não houvesse risco de a ligação acabar antes do tempo. Elas ficavam presas ali e, à medida que acabava o tempo de ligação de cada ficha, ela caía, fazendo um barulho que servia para calcularmos quantas restavam. Para quem demorava no telefone, era preciso andar com os bolsos cheios de ficha. Imagine você andando com os bolsos pesados e fazendo barulho. 

Na realidade, era uma praga, pois muitas vezes o telefone "engolia" a sua ficha então você tinha que dar uma porrada nele pra que ele devolvesse. Mas muitas vezes não tinha jeito, e a ficha era perdida para sempre. Já havia, também,  vândalos que colocavam tampinha de garrafa amassada no compartimento e estragavam o aparelho e sem falar no fato de que quando uma ficha "caia", havia sempre uma incômoda interrupção na ligação. 

Havia bem menos telefones públicos e, como não havia celular, as filas nos orelhões em horário comercial eram sempre longas. Bastava alguém demorar um pouquinho na ligação para outra pessoa (geralmente o último da fila) começar a reclamar, soltando frases do tipo: “É pra hoje, hein!” ou “Deixa pra fofocar em casa!” Alguns, mais exaltados, chegavam a bater no aparelho. 

Mas, apesar de tudo, quem viveu nessa época se divertiu muito, pois quem não se lembra quando o telefone devolvia mais fichas do que realmente você tinha colocado? E os telefones com fichas, ainda deixou pra história uma expressão bastante popular: " A ficha caiu" - referindo-se àquela situação em que a pessoa, enfim, compreende algo ou demora para entender algo que encucava sua mente. 






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